
A viagem de São Bernardo do Campo até Peruíbe surgiu de um desafio, na época a Equipe Os Tios ainda não existia.
Tudo começou no dia 27/08/1987, os chamados Tios Luiz Claudio, José Higino e Zacarias fizeram um plano para descer a Serra pela estrada velha de Santos e começaram a Treinar, se preparando para esse evento, marcado para o dia 11/10/1987!
Era véspera de feriado (dia 12/10/1987) e assim, teríamos aproximadamente 3 meses para nos preparar.
Na véspera da nossa aventura, o aro dianteiro da Princesa, biscleta do Tio Ricardo Wittmann apresentou problemas e às pressas tivemos que trocar o aro dela.
Na mochila nós levamos ferramentas e água, alem de câmaras de ar, remendo, cola, máquina fotográfica e filmes (não existiam máquinas digais e muito menos celulares! Quem dirá com máquina).

A irmã dos Tios Zé (José Higino) e Luiz Cláudio (na época com dez anos, se não me falha a memória) a Tia Fátima, levou-nos de carro (uma Brasilia Marrom) até a ponte do Rio Pequeno, uma ponte sobre um braço da represa em São Bernardo do Campo e de lá, retornou para a Rodovia Anchieta (não existia a segunda pista da Imigrantes assim os carros desciam pela Anchieta e subiam pela Imigrantes).

A missão dela era nos dar apoio em caso de necessidade. Nós ligaríamos para a casa de um parente do Tio (esse é nosso tio mesmo) Mané a partir de um orelhão (naquela época eles costumavam funcionar!) e ela iria nos socorrer.
As bicicletas (Princesa [verde] e Helo [Marrom]) não tinham marchas. As relações delas eram volantes (coroa grande) de 52 e 40 dentes nessa ordem e pinhões (catraca) de 20 dentes. O freio da Princesa era contrapedal o da Helo era pastilha de borracha.
O primeiro trecho é quase plano, com pequenas descidas e subidas e rodamos os 8 quilômetros e meio em vinte e cinco minutos!
Os nossos trajes, jaquetas jeans e calças do mesmo material, alem dos tênis eram proteção mecânica contra uma possível queda. Capacete, nessa época nem se cogitava!
Os furos na placa de transito proibido não são cupim... são furos de bala!
O vandalismo, nessa época, já era presente!

Esse prédio é o Rancho de Paranapiacaba, descendo uma trilha, ao lado de onde o Tio Zaca esta, vamos chegar numa rota de sete cachoeiras, muito bonitas, mas uma trilha perigosa!
Nós fizemos essa trilha alguns anos mais tarde, os Tios, Zaca, Walter, Zé e Luiz.
A foto acima mostra a cremalheira, uma estrutura que é ligada aos trens (hoje somente de carga) e quando um trem desce o outro sobe.

Esse poço (que estava entupido) era usado como parada para os cavalos e cavaleiros que subiam a serra pelo Caminho do Mar.
O Rancho da Maioridade é outra construção do tempo pré-republica.

Este obelisco marca a Calçada do Lorena, que foi "governador" da província de São Paulo. Em data futura, também realizamos uma operação (a pé) pela trilha do Lorena, do seu inicio, no Parque da Serra do Mar (próximo ao Solar da Marquesa - Rancho de Paranapiacaba) e termina abaixo desse ponto em uma clareira.
As duas fotos dessa sequencia foram tiradas no mesmo ponto. De um lado se mostra a Serra do Mar (Com a usina acima) e do outro lado a cidade de Cubatão, marcada por sua poluição!
A foto acima mostra o aro da Princesa. As gotas pretas que podem ser vistas são plástico derretido, provenientes de um anel que o Tio Ricardo havia instalado no aro para uma experiencia. Alem disso, com a alta temperatura do freio derreteu a graxa também.
Depois dessa aventura o freio precisou de manutenção para a reposição da lubrificação.

Não percebemos, mas o aro da Helo, bicicleta que estava com o Tio Zé também sofreu avarias no aro, pois a vibração dos freios fez com que os raios ficassem frágeis, e eles se romperam entre a cidade de Cubatão e São Vicente, prejudicando o nosso tempo.
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O Rio Cubatão, então poluído. Dois anos depois, desci a serra com o Tio Vane e o mesmo rio estava despoluído.

Essa parada no Hospital Osvaldo Cruz é uma lembrança, pois anos antes o Tio Ricardo socorreu uma amiga, a Márcia, irmã da tia Andréa, que estava passando mau.

Esse ponto marca a nossa entrada na Rodovia Pedro Taques, que na ocasião esta em obras para sua ampliação (motivo pelo qual optamos por usá-la). Logo depois desse ponto o aro da Hello se rompeu e andamos mais de 2 horas á pé para conseguir acionar a Fátima, irmã dos Tios Zé e Luiz Claudio, que esta para nos dar apoio. Só para lembrar, nessa época não existia celular!
No meio do caminho fizemos uma parada e comemos um misto quente!

Logo depois dessa foto, compramos um aro 26 (traseiro) para substituir o aro quebrado (última foto dessa sequencia) e continuamos a nossa aventura. Aproveitamos para almoçar na casa da Carola, prima do Tio Mané
Saímos de lá às 14:00 horas (com significativo atraso) e continuamos, basicamente por vias internas e pela praia.
Como substituímos o aro por outro de modelo diferente, a Hello ficou sem freios.
A parada, em frente da prefeitura de Mongaguá. Nesse trecho (desde a divisa da Praia Grande) vinhamos preferencialmente pela praia, mesmo por que a Hello não tinha o freio traseiro.
Essa outra foto, também na Estancia Balnearia de Monguaguá, foi tirada com a ponte dos pescadores ao fundo. Ela avança (ou avançava) 500 metros no mar e tinha a forma de T. Durante muitos anos ficou desativada por falta de manutenção. De acordo com alguns relatos, parece que ela voltou a funcionar.
Gruta de Nossa Senhora de Lourdes.

Essa gruta foi construída em memória da peregrinação do Beato Pe. José de Anchieta, que alias, costumava dormir nas pedras. Hoje existe uma ponte de madeira que vai até o ponto onde o Beato costumava descansar quando vinha de São Paulo do Piratininga até Peruíbe.

Essa foto, mostra o morro que nós atravessamos. Estamos em frente a Gruta e próximos a praia das Conchas, que fica próximo desse ponto.
Essa foto foi tirada de cima do morro, onde vemos na foto anterior a caixa d'água da SABESP (que está nas costas do fotografo. Nós escalamos por uma trilha e descemos pelo outro lado, na praia Cibratel, e continuamos até Peruíbe.

Essa é a nossa última chapa. Mostra o mesmo morro. Estamos do outro lado, na praia Cibratel. a ideia, a principio, era chegar em Peruíbe por volta das 15:00 ou 16:00 horas. Assim, não prevíamos a necessidade de flash para a foto de chegada. Tentamos tirar, mas, como chegamos tarde (por volta das 20:00 horas), não conseguimos tirar tal foto. Deixamos de registrar outros pontos importantes para o nosso grupo como o Balneário Gaivota, onde o Tio Ricardo tem casa, o Rio Negro, que marcou a nossa juventude e principalmente a nossa chegada!
Essa foto, tirada após a viagem, já em são Paulo, mostra o estado do Aro que foi substituído na Hello.